Levei um susto, hoje pela manhã, no Supermercado, com o preço do KG da carne de primeira, R$14,00, na promoção! Não comprei. Há menos de três meses, pagava R$8,00. Vou aturar reclamações dos comensais aqui de casa; mas, o cardápio vai variar entre frango frito, frango ensopado, frango assado... E peixe.
De volta à casa, passei a lamentar, em longo papo com a minha secretária do lar, relembrando o período inflacionário. Falo e bato na madeira três vezes. Foram tempos difíceis, para mim, aqui no DF e para ela, no Ceará.
Eu “caprichava” na seleção do que comprar tentando me defender como possível, já que, recebendo pagamento a cada 30 dias, via meus rendimentos serem reduzidos, em percentual de 25% ao mês, taxa de inflação da época. O cardápio, com alimentos capazes de “encher a pança” de filhos pré-adolescentes, variava de frango para frango e saborosos nacos de carne de segunda (peito, acém, costela...). Vísceras, nunca, pois eu já havia aprendido que armazenavam hormônios e antibióticos com que o gado era tratado.
Quanto à minha querida secretaria, na época ainda uma criança, restava-lhe, assim como para os irmãos, privações e fome. O cardápio, segundo sua narrativa, era composto de feijão, milho, e farinha de mandioca, plantados pelo pai e irmãos. Outros itens (e apenas os indispensáveis) eram comprados “fiado” e o pagamento, realizado somente uma vez por ano, na época da colheita do algodão.
Se eu me queixo do salário defasado, recebido a cada 30 dias, imaginem vocês o que sobrava para essa família, do produto da colheita do algodão? Nada. A conta, registrava valores variados, correspondentes a preços diversos, segundo a oscilação provocada pela inflação, ao longo de um ano inteiro. E o total da dívida era calculado com base nos preços da época do pagamento. Covardia, não é mesmo?
Na época, não existiam os programas sociais que, se por um lado podem incentivar a malandragem, por outro vem atender necessidades básicas que, infelizmente, nem sempre o livre mercado é capaz de suprir.
Minha secretaria é uma pessoa muito querida, que eu admiro; ela traz no próprio corpo as marcas desse passado de fome, marcas que eu vi descritas em livros do cientista Josué de Castro (Geografia da Fome e Geopolítica da Fome). Mas nunca se faz de vítima, é uma lutadora.
Espero que a fome seja varrida do mapa, que a crise financeira que abala o planeta sirva de inspiração para novas idéias, idéias inteligentes para um mundo melhor que permitam o crescimento saudável de corpo e mente.
Um espaço para jogar conversa fora sem ligar o desconfiômetro, para "falar sozinha" e, quem sabe, ser ouvida.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Desligando o piloto automático
Eu, até hoje, não tenho um plano. Sempre fui um tanto bagunceira, inquieta e instável. Talvez por isto tenha me interessado, desde cedo, por seitas e religiões que oferecessem mais respostas do que as que eu ouvia, habitualmente, nas missas dominicais. E, em contato com literaturas que referiam o zen-budismo e a meditação, entendi que poderia educar a mim mesma, aprender a centrar-me no momento presente.
Mas, entre entender e vivenciar plenamente, vai uma longa jornada. De qualquer modo, aderi e comecei a concentrar a atenção em cada momento. E vi que funcionava! É tão simples e tão fantástico. Ainda agora, estou tentando e não sou bem sucedida em várias ocasiões.
Por exemplo, quando cozinho, muitas vezes meu pensamento viaja, me “ausento”, vou sei lá para onde, penso na próxima atividade a ser realizada, nos compromissos do dia seguinte... Aterriso, de repente, volto ao ato de cozinhar, à panela fervente de arroz e acrescento sal e, que m..., acho que eu já havia colocado sal! Coloquei; não coloquei; não me lembo... Provo e constato: salguei o arroz. Tudo porque não me concentrei no ato de cozinhar, liguei o “piloto automático” e “viajei”...
Para onde? Para algum lugar aprazível? Não; viajava no meu mundo mental, onde permito que residam pré-ocupações, onde, após “abandonar” as ações presentes, fico antecipando o que ainda está para acontecer e que, nem mesmo sei se vai, realmente, acontecer. Essa não é uma atitude inteligente. Quando me concentro, tenho três ganhos: a minha mente relaxa, desenvolvo a ação com maior rapidez e raramente preciso corrigir erros.
O meu trabalho fora do lar, pela sua natureza, me obrigava à concentração. Sempre me dei conta, desde os 18 anos quando comecei na profissão, que deixava os problemas do lado de fora e que, ao final da jornada, aquilo que me preocupara pela manhã, parecia já não ter a mesma importância. Mas não que eu fosse detentora de alguma habilidade ou característica que me permitisse não “misturar as estações”. Não, não era uma virtude pessoal, era a sorte de trabalhar com Contabilidade, com planilhas e uma multidão de números. Somente quando conheci a meditação oriental, quando li sobre o zen budismo foi que entendi e pude tirar proveito, conscientemente, da capacidade natural de concentração que todos nós temos, uns mais, outros menos.
Quem ainda não tentou, vale experimentar, focar a atenção em cada momento, um momento de cada vez, desligando o "piloto automático".
Mas, entre entender e vivenciar plenamente, vai uma longa jornada. De qualquer modo, aderi e comecei a concentrar a atenção em cada momento. E vi que funcionava! É tão simples e tão fantástico. Ainda agora, estou tentando e não sou bem sucedida em várias ocasiões.
Por exemplo, quando cozinho, muitas vezes meu pensamento viaja, me “ausento”, vou sei lá para onde, penso na próxima atividade a ser realizada, nos compromissos do dia seguinte... Aterriso, de repente, volto ao ato de cozinhar, à panela fervente de arroz e acrescento sal e, que m..., acho que eu já havia colocado sal! Coloquei; não coloquei; não me lembo... Provo e constato: salguei o arroz. Tudo porque não me concentrei no ato de cozinhar, liguei o “piloto automático” e “viajei”...
Para onde? Para algum lugar aprazível? Não; viajava no meu mundo mental, onde permito que residam pré-ocupações, onde, após “abandonar” as ações presentes, fico antecipando o que ainda está para acontecer e que, nem mesmo sei se vai, realmente, acontecer. Essa não é uma atitude inteligente. Quando me concentro, tenho três ganhos: a minha mente relaxa, desenvolvo a ação com maior rapidez e raramente preciso corrigir erros.
O meu trabalho fora do lar, pela sua natureza, me obrigava à concentração. Sempre me dei conta, desde os 18 anos quando comecei na profissão, que deixava os problemas do lado de fora e que, ao final da jornada, aquilo que me preocupara pela manhã, parecia já não ter a mesma importância. Mas não que eu fosse detentora de alguma habilidade ou característica que me permitisse não “misturar as estações”. Não, não era uma virtude pessoal, era a sorte de trabalhar com Contabilidade, com planilhas e uma multidão de números. Somente quando conheci a meditação oriental, quando li sobre o zen budismo foi que entendi e pude tirar proveito, conscientemente, da capacidade natural de concentração que todos nós temos, uns mais, outros menos.
Quem ainda não tentou, vale experimentar, focar a atenção em cada momento, um momento de cada vez, desligando o "piloto automático".
domingo, 2 de novembro de 2008
Tudo ou nada; oito ou oitenta...
Uma vida em total ociosidade, sem nenhuma demanda, não seria do meu agrado e, acredito que, de ninguém. Mas, na vida, tudo parece tender ao exagero: “tudo” ou “nada”, “oito” ou “oitenta”.
Na juventude e na idade adulta, desdobramo-nos para dar conta de mil coisas (a multi-mulher da propaganda de uma nova marca de eletro-domésticos) e mal vemos nossos filhos crescerem.
Lembro-me de que eu, que vivia tão sem tempo, contraditoriamente chegava a desejar que o tempo passasse rápido e que meus filhos chegassem à vida adulta. Era pura ansiedade, desejo de ver a minha “missão” cumprida. Por um bom período, tive uma espécie de calendário particular, contava o tempo de quatro em quatro anos: nas próximas olimpíadas fulaninho terá 12 anos, sicraninho terá 16... E eu vou poder respirar, tomar fôlego, com filhos chegando à adolescência.
Enquanto, assim, pensava, tinha plena consciência daquele estado de delírio porque, na verdade, curtia a infância e a graciosidade deles, suas peraltices e risos plenos de alegria. Mas, eu vivia sempre assombrada com o que pudesse acontecer a qualquer deles, na minha ausência, daí o meu desejo de que eles, rapidamente, estivessem apitos a se auto-proteger.
Agora, numa fase de demandas mais equilibradas, percebo que o equilíbrio entre demandas da vida e tempo disponível para atendê-las depende de que, logo ao final da adolescência, tracemos um plano: onde desejamos chegar, o que desejamos para nossas vidas.
Há muitos que, precocemente, são capazes de traçar esse plano: trata-se de uma categoria de pessoas que parecer saber exatamente o que veio fazer neste mundo. E, exatamente por saber, são dotados de uma vontade férrea que parece guiar seus passos. Esses, não perdem tempo e nem são ansiosos. Mas, por vezes, são impacientes com a “lerdeza” de nós outros que, quanto mais corremos, mais atrasados estamos.
Se os pais se preparassem de forma completamente consciente para suas responsabilidades futuras, guiariam melhor seus filhos nesse “plano” de vida de modo que, mesmos aqueles que não nascessem dotados com essa espécie de “guia interno”, seriam melhor sucedidos em suas escolhas, conquistando rotinas mais equilibradas. E viveríamos, todos, sem essa terrível ansiedade que ameaça corroer nossa alma, que nos torna prisioneiros do relógio.
Na juventude e na idade adulta, desdobramo-nos para dar conta de mil coisas (a multi-mulher da propaganda de uma nova marca de eletro-domésticos) e mal vemos nossos filhos crescerem.
Lembro-me de que eu, que vivia tão sem tempo, contraditoriamente chegava a desejar que o tempo passasse rápido e que meus filhos chegassem à vida adulta. Era pura ansiedade, desejo de ver a minha “missão” cumprida. Por um bom período, tive uma espécie de calendário particular, contava o tempo de quatro em quatro anos: nas próximas olimpíadas fulaninho terá 12 anos, sicraninho terá 16... E eu vou poder respirar, tomar fôlego, com filhos chegando à adolescência.
Enquanto, assim, pensava, tinha plena consciência daquele estado de delírio porque, na verdade, curtia a infância e a graciosidade deles, suas peraltices e risos plenos de alegria. Mas, eu vivia sempre assombrada com o que pudesse acontecer a qualquer deles, na minha ausência, daí o meu desejo de que eles, rapidamente, estivessem apitos a se auto-proteger.
Agora, numa fase de demandas mais equilibradas, percebo que o equilíbrio entre demandas da vida e tempo disponível para atendê-las depende de que, logo ao final da adolescência, tracemos um plano: onde desejamos chegar, o que desejamos para nossas vidas.
Há muitos que, precocemente, são capazes de traçar esse plano: trata-se de uma categoria de pessoas que parecer saber exatamente o que veio fazer neste mundo. E, exatamente por saber, são dotados de uma vontade férrea que parece guiar seus passos. Esses, não perdem tempo e nem são ansiosos. Mas, por vezes, são impacientes com a “lerdeza” de nós outros que, quanto mais corremos, mais atrasados estamos.
Se os pais se preparassem de forma completamente consciente para suas responsabilidades futuras, guiariam melhor seus filhos nesse “plano” de vida de modo que, mesmos aqueles que não nascessem dotados com essa espécie de “guia interno”, seriam melhor sucedidos em suas escolhas, conquistando rotinas mais equilibradas. E viveríamos, todos, sem essa terrível ansiedade que ameaça corroer nossa alma, que nos torna prisioneiros do relógio.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Não alugo o meu tempo
Ando sempre em busca de alguma coisa em que me empenhar, me comprometer. Penso, repenso e não decido por qual tipo de ocupação fixa vou optar. Logo, me dou conta de que não quero nada, sou uma “preguiçosa” de carteirinha. Estou curtindo essa liberdade de ser a dona do meu tempo.
Esses dias, contestei a minha empregada que reclamava do que estava pagando à pessoa que cuidava do filho dela, remoendo que a fulana não fazia nada, só tomava conta do menino. Ora, mas a fulana estava alugando o que lhe era mais precioso, o próprio tempo, dispondo de um dia inteiro para estar na casa alheia, enquanto a dona não voltava do trabalho.
Quase todos, uns mais, outros menos, somos escravos de rotinas muito pesadas. A mulher, então, nem se fala. A sensação de opressão, nessas circunstâncias, está sempre presente. Às vezes, o coração acelera, as mãos transpiram enquanto mantemos os olhos pregados no relógio, cientes do pouco tempo que nos resta para concluir uma tarefa já que um outro compromisso nos espera. E passamos a vida a correr, para garantir a sobrevivência. Certo que, alguns, correm para sustentar vícios de consumo exagerados. Mas, para a maioria, em que eu me incluo, trata-se de questão de sobrevivência: para garantir o básico.
Não, hoje, estou fora dessa maioria; faço parte da minoria que tem tempo. E, às vezes, percebo que há um certo sentimento de culpa tentando ditar meus passos, querendo brigar com essa preguiça. Quem vencerá?
O bom senso deve prevalecer. Afinal, ainda não descansei o suficiente do tempo que passei correndo. E, de qualquer modo, ainda que descansada e entediada, nunca mais alugaria o meu tempo.
Lembro-me de um escritor que, em entrevista ao Programa da Oprah Winfrey, contou como fizera para sobreviver sem trabalhar, jamais abrindo mão de ser o dono da própria vida. Obviamente que, ao comparecer àquele programa, já detinha condição financeira que lhe permitia essa escolha, um escritor famoso; mas, no passado não era assim.
Sempre podemos encontrar um jeito simples de viver, sem atender aos apelos do consumo,sem entulhar o guarda-roupa e a sapateira, sem entupir a casa de eletro-eletrônicos... e, principalmente, planejando melhor a família e a vida. É o que faria se precisasse recomeçar.
Esses dias, contestei a minha empregada que reclamava do que estava pagando à pessoa que cuidava do filho dela, remoendo que a fulana não fazia nada, só tomava conta do menino. Ora, mas a fulana estava alugando o que lhe era mais precioso, o próprio tempo, dispondo de um dia inteiro para estar na casa alheia, enquanto a dona não voltava do trabalho.
Quase todos, uns mais, outros menos, somos escravos de rotinas muito pesadas. A mulher, então, nem se fala. A sensação de opressão, nessas circunstâncias, está sempre presente. Às vezes, o coração acelera, as mãos transpiram enquanto mantemos os olhos pregados no relógio, cientes do pouco tempo que nos resta para concluir uma tarefa já que um outro compromisso nos espera. E passamos a vida a correr, para garantir a sobrevivência. Certo que, alguns, correm para sustentar vícios de consumo exagerados. Mas, para a maioria, em que eu me incluo, trata-se de questão de sobrevivência: para garantir o básico.
Não, hoje, estou fora dessa maioria; faço parte da minoria que tem tempo. E, às vezes, percebo que há um certo sentimento de culpa tentando ditar meus passos, querendo brigar com essa preguiça. Quem vencerá?
O bom senso deve prevalecer. Afinal, ainda não descansei o suficiente do tempo que passei correndo. E, de qualquer modo, ainda que descansada e entediada, nunca mais alugaria o meu tempo.
Lembro-me de um escritor que, em entrevista ao Programa da Oprah Winfrey, contou como fizera para sobreviver sem trabalhar, jamais abrindo mão de ser o dono da própria vida. Obviamente que, ao comparecer àquele programa, já detinha condição financeira que lhe permitia essa escolha, um escritor famoso; mas, no passado não era assim.
Sempre podemos encontrar um jeito simples de viver, sem atender aos apelos do consumo,sem entulhar o guarda-roupa e a sapateira, sem entupir a casa de eletro-eletrônicos... e, principalmente, planejando melhor a família e a vida. É o que faria se precisasse recomeçar.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
VOLTEI!
Muito tempo ausente deste espaço, não por falta de assunto e, sim por excesso! Muito trabalho, em casa; uma mudança de residência; formatura de filho; filho mudando de emprego; novo neto chegando; uma hérnia lombar e um repouso forçado ... Enfim, emoções de sobra!
Eu, querendo deixar de ser sedentária (dona de casa sedentária? É ruim hein!) acabei me acidentando em uma academia. E fiquei, então, efetivamente, sedentária, deitada ou recostada, sem poder sentar! Depois de algum tempo meio grogue, deixei de lado os analgésicos e recorri ao shiatsu, que maravilha! Mais tarde, passei a fazer aulas de anti-ginástica. Gostei, também.
É uma pena que esses recursos, essas terapias alternativas, não estejam ao alcance da maioria. Além de curar, ou estabilizar, são também preventivas.
Muito obrigada a vocês, amigos leitores, que tem vindo até aqui, durante a minha ausência.
Abração!
Eu, querendo deixar de ser sedentária (dona de casa sedentária? É ruim hein!) acabei me acidentando em uma academia. E fiquei, então, efetivamente, sedentária, deitada ou recostada, sem poder sentar! Depois de algum tempo meio grogue, deixei de lado os analgésicos e recorri ao shiatsu, que maravilha! Mais tarde, passei a fazer aulas de anti-ginástica. Gostei, também.
É uma pena que esses recursos, essas terapias alternativas, não estejam ao alcance da maioria. Além de curar, ou estabilizar, são também preventivas.
Muito obrigada a vocês, amigos leitores, que tem vindo até aqui, durante a minha ausência.
Abração!
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Funções tipicamente femininas: psicóloga, professora, enfermeira ...
Referências preconceituosas ao trabalho doméstico sempre me desagradaram. Não consigo entender o preconceito de muitas mulheres que, tanto quanto certos homens, não reconhecem o valor de um trabalho que só não é um trabalho como outro qualquer por ter mais importância que todos os demais. Pode, até, não ser prazeroso, pode ser estafante, por vezes... Mas só não lhe reconhecem o valor, por ironia, justamente aqueles que sempre tiveram quem lhes atendesse, como camareiras de luxo de um hotel 5 estrelas rsrsrsrsrsrsrsrrsrsrs.
Lembro-me que, ao aproximar-se a data da minha aposentadoria muitos me indagaram o que seria dos meus dias, em casa, que futuro sem graça, sem charme, sem vestir aquele “traje de executiva”, todas as manhãs... Mais ou menos como se o valor da existência feminina, antes completamente associado ao exercício dos papeis de esposa e mãe, agora dependesse da permanência no espaço profissional.
Por isto, ao desenhar o meu perfil, sublinhei a minha condição de “dona de casa que toma conta do neto e de outros afazeres domésticos”, papel de que muito me orgulho. Não precisamos mais provar que podemos “existir” fora do lar. É hora, portanto, de avaliarmos a nossa própria visão quanto à função de educadora, psicóloga, enfermeira, nutricionista, economista, decoradora, faxineira, cozinheira ... Ufa! O quê mais?! Tantas profissões cabem no papel de “dona de casa” que, algumas delas, também passaram a sofrer do mesmo estigma, na medida em que foram qualificadas, sempre com altas doses de sarcasmo, como profissões tipicamente femininas.
Apesar do título, “bobagens e bobeiras”, está visto que a idéia não é desqualificar a temática que, tão importante quanto a do meu outro blog, faz parte do perfil em associação à profissão que exerci até a aposentadoria.
Torço para ter mais visitas femininas e, quem sabe, comecemos algumas discussões e desabafos interessantes, onde os homens serão bem vindos é claro.
O interessante é notar que também a educação tem sido desqualificada, tratada como coisa menor, sem a merecida relevância, os professores recebendo salários de merreca enquanto grupos chamados de elite, no Serviço Público Federal, ganham salários nababescos. Por que será que, justamente aquilo que cerca mais de perto o ser humano, que pode tocá-lo e promover verdadeiramente o seu crescimento, o lar e a escola, recebe esse tratamento de segunda, da sociedade e dos governos?
Lembro-me que, ao aproximar-se a data da minha aposentadoria muitos me indagaram o que seria dos meus dias, em casa, que futuro sem graça, sem charme, sem vestir aquele “traje de executiva”, todas as manhãs... Mais ou menos como se o valor da existência feminina, antes completamente associado ao exercício dos papeis de esposa e mãe, agora dependesse da permanência no espaço profissional.
Por isto, ao desenhar o meu perfil, sublinhei a minha condição de “dona de casa que toma conta do neto e de outros afazeres domésticos”, papel de que muito me orgulho. Não precisamos mais provar que podemos “existir” fora do lar. É hora, portanto, de avaliarmos a nossa própria visão quanto à função de educadora, psicóloga, enfermeira, nutricionista, economista, decoradora, faxineira, cozinheira ... Ufa! O quê mais?! Tantas profissões cabem no papel de “dona de casa” que, algumas delas, também passaram a sofrer do mesmo estigma, na medida em que foram qualificadas, sempre com altas doses de sarcasmo, como profissões tipicamente femininas.
Apesar do título, “bobagens e bobeiras”, está visto que a idéia não é desqualificar a temática que, tão importante quanto a do meu outro blog, faz parte do perfil em associação à profissão que exerci até a aposentadoria.
Torço para ter mais visitas femininas e, quem sabe, comecemos algumas discussões e desabafos interessantes, onde os homens serão bem vindos é claro.
O interessante é notar que também a educação tem sido desqualificada, tratada como coisa menor, sem a merecida relevância, os professores recebendo salários de merreca enquanto grupos chamados de elite, no Serviço Público Federal, ganham salários nababescos. Por que será que, justamente aquilo que cerca mais de perto o ser humano, que pode tocá-lo e promover verdadeiramente o seu crescimento, o lar e a escola, recebe esse tratamento de segunda, da sociedade e dos governos?
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Quem está no comando?
No artigo anterior, declarei que não desisto diante de obstáculos. Às vezes, desisto. A insistência, diante de certas situações, pode sinalizar a nossa dificuldade em aceitar o inevitável, de sair em busca de outras soluções, de tentar trilhar outros caminhos.
Desisti, por exemplo, do casamento. Faz muito tempo; mas, ainda me lembro das incontáveis vezes em que tive de ouvir a seguinte frase: você está pensando que é o homem da casa?
Ser casada, para a minha geração, significava abdicar do direito de pensar e de decidir. E, ainda agora, com a velha desculpa de que “é preciso combinar, dividir” há pessoas que, autoritariamente, tolhem seus companheiros.
A cada passo, prestar contas, dar satisfação? É praticamente impossível já que decidir e escolher, rapidamente, é uma exigência que a vida moderna impõe, a cada momento, a homens e mulheres. Logo, é preciso, sobretudo, confiar e respeitar o outro.
No passado, já remoto, quando os papeis, feminino e masculino, eram nitidamente distintos e a vida transcorria, lentamente, sempre igual, geração após geração, pouco havia o que ponderar. Mas, especialmente a partir dos anos 70, ver-se na contingência de “pedir permissão” ...
Recentemente, me surpreendi quando uma mulher respondeu a um anúncio que publiquei para vender móveis em desuso, tudo bem baratinho. Ela ligou, indagou, veio à minha casa aproveitando o intervalo de almoço; e decidiu parcialmente: precisava aguardar o retorno do marido que estava viajando. Comprou uns itens e outros não. Precisava “pedir autorização” para usar o seu próprio dinheiro!
Desculpar, relevar deslizes ou substituir a empregada? Aproveitar o marceneiro da vizinha e consertar, embelezar os móveis? Fazer as compras do mês hoje ou aguardar a promoção da semana que vem? Ou comprar semanalmente aproveitando promoções ocasionais? Substituir as cortinas aproveitando a promoção que acabou de encontrar na lojinha da esquina? Não complementar para o jantar, quem quiser que faça um lanche... Reformar o banheiro ou trocar de carro?
Há quem exija discutir sobre tudo, compartilhar tudo, principalmente quando há gastos envolvidos. Melhor dizendo, há os que gostam de exercer o poder e para isto não hesitam em contrariar a lógica: “como ousa agir por conta própria? Desfaça agora mesmo!” é o lema dos viciados em mandar que, por isto, sempre encontrarão mil pretextos para desmerecer a iniciativa alheia, especialmente as iniciativas femininas.
Desisti, por exemplo, do casamento. Faz muito tempo; mas, ainda me lembro das incontáveis vezes em que tive de ouvir a seguinte frase: você está pensando que é o homem da casa?
Ser casada, para a minha geração, significava abdicar do direito de pensar e de decidir. E, ainda agora, com a velha desculpa de que “é preciso combinar, dividir” há pessoas que, autoritariamente, tolhem seus companheiros.
A cada passo, prestar contas, dar satisfação? É praticamente impossível já que decidir e escolher, rapidamente, é uma exigência que a vida moderna impõe, a cada momento, a homens e mulheres. Logo, é preciso, sobretudo, confiar e respeitar o outro.
No passado, já remoto, quando os papeis, feminino e masculino, eram nitidamente distintos e a vida transcorria, lentamente, sempre igual, geração após geração, pouco havia o que ponderar. Mas, especialmente a partir dos anos 70, ver-se na contingência de “pedir permissão” ...
Recentemente, me surpreendi quando uma mulher respondeu a um anúncio que publiquei para vender móveis em desuso, tudo bem baratinho. Ela ligou, indagou, veio à minha casa aproveitando o intervalo de almoço; e decidiu parcialmente: precisava aguardar o retorno do marido que estava viajando. Comprou uns itens e outros não. Precisava “pedir autorização” para usar o seu próprio dinheiro!
Desculpar, relevar deslizes ou substituir a empregada? Aproveitar o marceneiro da vizinha e consertar, embelezar os móveis? Fazer as compras do mês hoje ou aguardar a promoção da semana que vem? Ou comprar semanalmente aproveitando promoções ocasionais? Substituir as cortinas aproveitando a promoção que acabou de encontrar na lojinha da esquina? Não complementar para o jantar, quem quiser que faça um lanche... Reformar o banheiro ou trocar de carro?
Há quem exija discutir sobre tudo, compartilhar tudo, principalmente quando há gastos envolvidos. Melhor dizendo, há os que gostam de exercer o poder e para isto não hesitam em contrariar a lógica: “como ousa agir por conta própria? Desfaça agora mesmo!” é o lema dos viciados em mandar que, por isto, sempre encontrarão mil pretextos para desmerecer a iniciativa alheia, especialmente as iniciativas femininas.
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